27 de jul de 2011

República Velha, Educação e Eugenia



República Velha e a Educação


O livro da professora Marta Maria Chagas de Carvalho, intitulado A Escola e a República elege o tempo da República Velha para desenvolver suas reflexões sobre a escola. Com a intenção de fazer um recorte epistemológico, o texto verticaliza a sua análise nas primeiras duas décadas do século passado. Nesta linha o texto mostra as preocupações que rondavam as práticas políticas da elite brasileira. Tratava-se de formar no povo da república iniciante um sentimento de nacionalidade. Isto aparecia com a idéia de se dar forma à massa disforme. Em palavras diretas, havia a necessidade de fazer do Brasil uma Nação. Esta era a tarefa da escola, na visão dos intelectuais dos anos vinte.
            A questão é que não havia uma política definida para os negros recém-libertos do regime escravocrata. Do mesmo modo, não havia uma política clara para os imigrantes que chegavam para ser a principal força de trabalho da república brasileira. Ora, se havia um descaso quase que total para com essas pessoas, então, de comum acordo com o texto, podemos concluir que a república estava em débito com a sua maior massa populacional – os pobres. Diante deste cenário era necessário criar estratégias para sanar esta dívida. Qual seria a estratégia fundamental para dar contas do dever para com o povo? A educação.
            A educação era a principal bandeira da política republicana. Nisto, o ato de construir escolas se transformara numa verdadeira celebração para os governos republicanos. Tudo o que era feito em termos de educação deveria ser visto por todos. Era a maneira pela qual o Estado mostrava o seu poder e sua ação. Nesta mesma linha é que se reformularam as práticas pedagógicas do sistema educacional republicano. O modelo americano de educar foi implantado, e, por sinal, muito ovacionado pelos republicanos. Nada foi produzido no Brasil, mas o método, o material didático e até os educadores vieram do estrangeiro.
             Não obstante, este sistema de educação foi elaborado para as elites. Era fruto do projeto eugênico de Caetano de Campos. Portanto, excludente e seletivo. Na escola republicana estudava o aluno de origem européia. O negro e o mulato estavam fadados ao analfabetismo. Com este modelo o que se queria era o melhoramento da raça. Destarte, o negro e o brasileiro representavam um obstáculo a este projeto hegemônico de Caetano de Campos. Ora, estas questões impuseram novos desafios à república. Um, porque os estrangeiros não efetivaram os projetos republicanos; outro porque os excluídos do sistema formaram um grande contingente de analfabetos. 
              Com estas questões inaugurou-se o que, no texto, se chamou de entusiasmo pela educação. Disciplina, controle e regularização eram, por excelência, as práticas educativas eleitas pelos intelectuais dos anos vinte. Tirar do analfabetismo significava uniformizar a massa brasileira que estava disforme. A educação do corpo para o trabalho e a educação dos desejos e vontades para o civismo era o que se entendia por educação integral.  Nisto entra em cena o modelo taylorista[1] aplicado à educação.
            Racionalização do tempo e do espaço das pessoas era fundamental nos escritos moralistas deste tempo. Tudo deveria ter esta perspectiva educativa. No fundo o se queria era criar o hábito projetado e planejado pela elite. Elite esta que se fazia conhecer por meio da Associação Brasileira de Educação – ABE.
Ora, tudo era idealizado. Deste modo, as pessoas deveriam reproduzir os ideais elitistas, moralizantes e disciplinares aonde se encontrassem. Este projeto não queria outra coisa do que a igualdade. Mas a igualdade elaborada e oferecida por alguns privilegiados. Portanto, diante disso não havia liberdade. Somente seria o cidadão brasileiro quem reproduzisse com sua vida o anteriormente planejado. Este era o projeto da república para a escola.
                                                                                                                       







[1] Taylorismo é uma concepção de produção, baseada em um método científico de organização do trabalho, desenvolvida pelo engenheiro americano Frederick W. Taylor (1856-1915). Não obstante, em educação desejou-se os mesmos efeitos que ocorriam nas linhas de produção das grandes fábricas do final do século XIX.

26 de jul de 2011

Neoliberalismo e Educação - resenha

Os arautos da reforma e a consolidação do consenso: anos de 1990.


O texto da professora Eneida Shiroma, cujo título é Os arautos da reforma e a consolidação do consenso: anos de 1990 estabelece uma reflexão sobre os modelos políticos dos anos 90. Trata-se de uma visão sobre o neoliberalismo e as suas conseqüências para a educação contemporânea. Nesta linha destaca-se o Mercado como regulador das relações econômicas entre os paises. Mercado este que terá a primazia na seleção de pessoas. Ou seja, os melhores preparados são o que se dão bem no neoliberalismo. Ora, é deste modo de pensar que surge a ideia de que a educação é o único meio de construir um país desenvolvido, já que seus cidadãos teriam condições de decodificar os códigos da modernidade.

            Com o intuíto de dar condições de possibilidade a todos os cidadãos de terem acesso a educação é que nos anos 90 foram promovidas várias conferências sobre educação de proporções mundiais. Destas conferências brotam metas educacionais que foram imputadas a todas as nações consideradas em desenvolvimento.  Tudo isso é claro repercutiu no sistema educacional brasileiro – um país emergente. Deste modo todas as fichas foram apostadas na educação. Até mesmo os orçamentos nacionais foram amarrados a fim de garantirem um mínimo necessário de investimentos em educação.

            Das recomendações que brotaram dos organismos internacionais surgiram inúmeras medidas no Brasil com o intuito de implantar uma reforma substancial no sistema educacional. Enfim, o que se buscou foi um consenso público-privado em torno da questão educacional. O fio condutor destas medidas foi sempre o mercado de trabalho e inserção dos educandos neste. Nisto criou-se uma expectativa de que o acesso a todos a educação básica garantiria a inserção dos trabalhadores no mercado de trabalho. Porém, alguns mais realistas não cultivaram esta esperança.

            A verdade é que nada foi esgotado em torno da questão educacional. Muitas discussões ainda estão sem um rumo definido. O Estado, mesmo que mínimo, ainda precisa ser mais incisivo nas suas propostas. Evidente que não pode deixar de ouvir e de discutir com a sociedade civil organizada. E mais, sem o comprometimento dos educadores reforma nenhuma é implantada de maneira eficiente. É claro que este comprometimento passa por planos de carreiras; melhores salários; investimentos na formação dos professores. Portanto, há um consenso. Contudo precisa ser efetivado na empiria dos educandos.

7 de jul de 2011

OS extremos!


"As posições extremas não são seguidas de posições moderadas, e sim de posições extremas contrárias", falou Nietzsche.
 
UM DOS ENSINAMENTOS do Tao Te Ching diz o seguinte: A afeição extrema significa um grande desgaste e as posses abundantes, grandes perdas. Se você perceber quando tiver o suficiente, não entrará em desgraça. Se souber quando parar, nãoestará em perigo. Dessa forma, é possível viver muito tempo. O chamado “caminho do meio” é um dos pilares do budismo. Para Siddhartha Gautama, a felicidade e a ausência de problemas estão em saber encontrar o ponto equidistante entre o fácil e o difícil, o superficial e o profundo, o prazer e a dor.
Quem busca extremos corre o risco de passar da virtude à maldade, como adverte Nietzsche, já que as paixões costumam levar a ações desmedidas. Encontrar o equilíbrio no momento de agir não significa ter medo nem falta de iniciativa, mas alcançar um horizonte suficientemente amplo para entender que a verdade – e, o que é ainda mais importante, a conveniência – nunca será encontrada nas posturas radicais.
Como disse Aristóteles: “A virtude consiste em saber encontrar
o meio-termo entre dois extremos.”