27 de mar de 2010

Como preparar um Seminário Acadêmico



Seminário


O essencial é selecionar as informações mais importantes e transmiti-las ao público com clareza. Para que um seminário seja eficiente, o aluno precisa se sentir um especialista sobre o assunto que vai expor e ser claro ao apresentar suas ideias. Ele deve passar ao público o que considera mais importante e, ao tomar o lugar que geralmente é do professor, pensar na melhor maneira de fazer isso.

De acordo com Schneuwly, essa atividade é "um instrumento privilegiado de transmissão de diversos conteúdos", mas, para que seja realmente eficiente, é necessário que "estratégias concretas de intervenção e procedimentos explícitos de avaliação sejam adotados". O pesquisador chama a atenção para essas funções do professor porque, mesmo sendo o seminário um dos gêneros orais mais comuns em classe, ele não recebe a atenção devida a um conteúdo de ensino. "Muitas vezes, o professor propõe um tema e pede que se faça um seminário sobre ele. Esquece-se, no entanto, de que não é possível adivinhar como prepará-lo de maneira adequada", reforça Maria Aparecida de Freitas Cuer, coordenadora pedagógica da EMEF Paulo Duarte, em São Paulo.

Uma boa apresentação começa com a introdução, em que o estudante delimita o que será tratado, legitima as razões de suas escolhas e mobiliza a atenção e a curiosidade dos ouvintes. Ao planejar o que será dito, o apresentador deve tentar antecipar algumas reações da plateia, prevendo o que fará mais sucesso ou será de difícil assimilação e, por isso, necessita de apoio escrito, como números - que devem estar registrados nos cartazes ou slides (conheça na próxima página a experiência da professora Regina Pereira da Silva, que promoveu com a turma um seminário sobre o meio ambiente).

Considerar os conhecimentos e o interesse do público é uma característica dos seminários. É por isso que não basta dizer para o aluno seguir um roteiro e falar continuamente, sem nem sequer notar quando alguns parecem interessados no tema e outros mostram que estão cheios de dúvidas. Provocar os colegas em busca de uma reação, questionar se todos estão entendendo ou colocar uma questão chamando para um debate são maneiras interessantes de interagir.

Não se esqueça de que a turma toda precisa ser orientada quanto à estrutura do seminário, ou seja, a organização do tempo de fala de cada integrante e as regras para a participação dos ouvintes - se podem pedir esclarecimentos durante a fala do colega ou apenas no fim, por exemplo (nesse caso, quem está na plateia anota o que deseja saber e espera para retomar a ideia mais adiante).
 
 
ETAPAS DE UM SEMINÁRIO
 
1 Pesquisa



Na teoria.



Ao buscar em diferentes fontes as informações a ser apresentadas em seminários, é necessário distinguir entre o essencial e o secundário. Além disso, os dados devem ser traduzidos para a linguagem do público, favorecendo a transmissão da informação com clareza.



Na prática



Para aprender sobre o meio ambiente, a turma de Paragominas se dividiu. Cada grupo ficou responsável por um tema e consultou internet, livros didáticos e jornais nacionais e regionais em busca de dados sobre os rios que cruzam a cidade e o corte de árvores nativas.

2 Modelo



Na teoria



A turma precisa conhecer produções da mesma natureza para ter referências e poder refletir sobre esse gênero do oral. Como focar um tema, que informações destacar nos registros de apoio e como interagir com o público e chamar a atenção para os dados mais importantes é primordial.



Na prática



A professora Regina mostrou à classe trechos de gravações de seminários realizados por turmas mais velhas e por outros professores da escola. Sua intenção era levar a sala a pensar tanto sobre a postura de quem fala quanto sobre as formas de participação de quem ouve.



3 Ensaio ou simulação



Na teoria



Muito mais do que um treino, esse é um momento de reflexão sobre o trabalho que está sendo organizado. Para que todos notem os pontos altos e baixos da apresentação, é interessante gravar ou filmar o grupo. Dessa maneira, fica fácil determinar como a fala pode ser aprimorada.



Na prática



Antes de apresentar os trabalhos para turmas de outra escola, os grupos ensaiaram bastante, tendo como plateia os próprios colegas de classe e a diretoria. A atividade serviu para apontar as dúvidas mais frequentes dos ouvintes e o que ainda precisava ser aprofundado.

 

4 Registro



Na teoria



Da pesquisa ao dia da apresentação, pequenas anotações, relatórios e esquemas são a base de organização do seminário. O apoio exibido na parede serve para guiar aquele que fala e para a turma acompanhar seu raciocínio - mas não apenas para ser lido.



Na prática



Os registros escritos acompanharam todas as etapas do trabalho em Paragominas. De cada fonte, as crianças retiraram o que consideravam importante e tomaram notas. Em duplas e individualmente, determinaram os tópicos a ser usados como apoio no seminário.

3 de mar de 2010

Atitude Filosófica

Texto Filosófico:


Todos os homens são filósofos. Mesmo quando não têm consciência de terem problemas filosóficos, têm, em todo o caso, preconceitos filosóficos. A maior parte destes preconceitos são as teorias que aceitam como evidentes: receberam-nas do seu meio intelectual ou por via da tradição.  Dado que só tomamos consciência de algumas dessas teorias, elas constituem preconceitos no sentido de que são defendidas sem qualquer verificação crítica, ainda que sejam de extrema importância para a acção prática e para a vida do homem.
Uma justificação para a existência da filosofia profissional ou académica é a necessidade de analisar e de testar criticamente estas teorias muito divulgadas e influentes.
Tais teorias constituem o ponto de partida de toda a ciência e de toda a filosofia. São pontos de partida precários. Toda a filosofia deve partir das opiniões incertas e muitas vezes perniciosas do senso comum acrítico. O objectivo é um senso comum esclarecido e critico, a prossecução de uma perspectiva mais próxima da verdade e uma influência menos funesta na vida do homem.
K. POPPER, Em Busca & um Mundo Melhor, trad. port.,Lisboa, Ed. Fragmentos, 1989, - 165

qustões:
1) o que significa dizer que todos são filósofos?
2) o que significa ter preconceitos filosóficos?
3) o que significa ter um senso comum crítico?

Síntese da Matéria:
1. A atitude filosófica não é uma atitude natural. Qualquer indivíduo de forma imediata face à realidade não começa a examiná-la de forma especulativa. Pelo contrário, o que é natural é que se centre na resolução problemas práticos, que se guie pelo senso comum, tendo em vista resolver certas necessidades imediatas ou interesses concretos (atitude natural). Ninguém pode viver sem se adaptar constantemente às condições do seu mundo. Estas exigências de sobrevivência tendem, naturalmente a sobrepor-se a todas as outras preocupações.


2.Embora o homem seja inseparável das suas circunstâncias, não pode todavia ser reduzido a uma mero produto das mesmas. Ele está permanentemente a ser confrontado com novos problemas que o colocam perante novas situações imprevisíveis, e que o obrigam a alargar os seus horizontes de compreensão da realidade. Cada mudança pode representar, assim, uma nova possibilidade para ampliar o conhecimento. Trata-se de uma possibilidade, não algo que necessariamente tenha que acontecer a todos os homens nas mesmas circunstâncias e em todas as ocasiões.






3. Estas mudanças frequentemente inquietam-nos ou maravilham-nos, despertando a nossa curiosidade sobre o porquê das coisas, levando-nos a questionar o que nos rodeia. Ao fazê-lo estamos a distanciarmo-nos da realidade, que de repente se tornou estranha ou mesmo enigmática. Esta atitude reflexiva, pode-nos conduzir a uma atitude mais radical, a atitude filosófica.






4. A atitude filosófica se decorre do quotidiano, não é todavia ao mesmo redutível. Não é fácil caracterizá-la, dada a enorme diversidade de aspectos que pode assumir. Vejamos apenas quatro aspectos que caracterizam a atitude filosófica:






O espanto. Aristóteles afirmava que a filosofia tinha a sua origem no espanto, na estranheza e perplexidade que os homens sentem diante dos enigmas do universo e da vida. É o espanto que os leva a formularem perguntas e os conduz à procura das respectivas soluções. Como refere Eugen Fink o espanto torna o evidente em algo incompreensível, o vulgar extraordinário.






A duvida. Ao filósofo exige-se que duvide de tudo aquilo é assumido como uma verdade adquirida. Ao duvidar este distancia-se das coisas, quebrando desta forma a sua relação de familiaridade com as coisas. O que era natural torna-se problemático. O que então emerge é uma dimensão inquietante de insatisfação e problematização. A reflexão começa exatamente a partir do exame daquilo que se pensa ser verdadeiro. Se nunca duvidarmos de nada nunca saberes o fundamento daquilo em que acreditamos, mas também jamais pensaremos pela nossa cabeça.






O rigor. O questionamento radical que anima o verdadeiro filósofo, não é mais do que um acto preparatório para fundar um novo saber sobre bases mais sólidas. A crítica filosófica é por isso radical, não admite compromissos com as ambiguidades, as ideias contraditórias, os termos imprecisos.






A insatisfação. A filosofia revela-se uma desilusão para quem quiser encontrar nela respostas para as suas inquietações. O que o aprendiz de filósofo encontra na filosofia são perguntas, problemas e incitamentos para que não confie em nenhuma autoridade exterior à sua razão, para que duvide das aparências e do senso comum. A única "receita" que os filósofos lhe dão é que faça da procura do saber um modo de vida. Não se satisfaça com nenhuma conclusão, queira saber sempre mais e mais.


1) por que é desafiante assumir a atitude filosófica?
2) qual a importância do espanto para a filosofia?
3) Por que é necessário duvidar em filosofia?
4) Qual o papel da insatisfação para a filosofia?

1 de mar de 2010

O que é senso comum?

DEFINIÇÃO DE SENSO COMUM:

Senso comum é um saber que nasce da experiência quotidiana, da vida que os homens levam em sociedade. É, assim, um saber acerca dos elementos da realidade em que vivemos; um saber sobre os hábitos, os costumes, as práticas, as tradições, as regras de conduta, enfim, sobre tudo o que necessitamos para podermos orientar-nos no nosso dia-a-dia: como comer à mesa, acender a luz de uma sala, ligar a televisão, como fazer uma chamada telefônica, apanhar o autocarro, o nome das ruas da localidade onde vivemos, etc.,etc...



TEXTO FILOSÓFICO SOBRE SENSO COMUM:

Mas como deve ser caracterizada a atitude que é por essência a atitude originária, o modo de ser histórico fundamental da existência humana? Respondemos: é evidente, por razões de geração, que os homens vivem sempre em comunidades, família, tribo, nação, as quais, por sua vez, estão elas mesmas articuladas, de modo mais ou menos complexo, em diversos grupos sociais particulares. A vida natural pode ser caracterizada como uma maneira ingenuamente directa de viver no mundo, mundo de que possuímos sempre, de uma certa maneira, consciência, enquanto horizonte universal, mas que não é, contudo, temático. Temático é aquilo para o qual se está orientado. A vida desperta consiste sempre em estar orientado para isto ou para aquilo, como um fim ou como um meio, como qualquer coisa de relevante ou de irrelevante, de interessante ou de indiferente, de privado ou de público, de quotidiano ou de novo.


E. Hurssel, La Crise des Scienses européennes et la phénoménologie transcendantale. Paris. Gallimard. 1976,p.361 (adpt.).


Atividades avaliativas:

1) Qual a mensagem que a figura nos transmite?

2) Na tua visão o senso comum é importante para o dia-a-dia? Por que?

3) segundo o filósofo Hurssel sempre temos uma maneira de ver o mundo. Essa maneira pode ser orientada por alguém? Justifique.

4) diz o filósofo: "A verdadeira filosofia é aprender a ver o mundo" como vc interpreta essa colocação no que diz respeito a atitude natural?