17 de nov de 2015

COVARDIA MORAL E “CORAGEM” VIRTUAL.


Se você, assim como eu, é usuário de redes sociais já constatou que os fatos e as notícias sobre os fatos estão em segundo ou terceiro plano. O acontecimento, o evento, o grande feito de alguém é o que menos importa nesta hierarquia maluca do nosso tempo. As notícias sobre os fatos até tem alguma importância na medida em que despertam para a “coragem” uma massa de covardes morais. Nesta linha uma notícia não tem o escopo principal de informar os leitores, os espectadores e usuários de plataformas sociais. As notícias também não buscam descrever com minúcia um acontecimento qualquer no mundo. Neste sentido, as notícias que circulam por aí nas redes sociais servem para instigar revolucionários, certificar “cientistas políticos”, “armar” pessoas violentas, mas todos em um plano virtual. Para constatar essa questão, basta ver que as pessoas “gastam” mais tempo lendo os comentários e, não raras às vezes, nem leem a notícia e o fato narrado não tem quase nenhuma importância. Que fique claro: esta crítica tem pouco a ver com os editores, mas sim muito com o tipo de leitor que circula por aí – os corajosos virtuais, mas que no fundo são um bando de covardes morais.
            Por que covardes morais? Por que corajosos virtuais? Parto do princípio de que a moral nasce da constituição interna do sujeito, são os valores que ele elege para si, são as regras que impõe para ele mesmo e que as vivencia no plano de sua subjetividade, mas que tem a coragem de testemunhar no âmbito social sem que nenhuma lei o obrigue a fazê-lo. Neste sentido, a moral não é imposta de fora, mas é criação na liberdade do sujeito. Minha questão é a seguinte: quantos destes revoltados online, revolucionários de “feicibuque” cientistas políticos formados a partir de grandes manuais da mídia estariam dispostos e teriam coragem de sustentar suas “teses” em um debate real, vis a vis...
            A coragem é uma virtude bastante difundida e a ser conquistada pelo hábito entre os gregos antigos. Por ser uma virtude, ela supunha outras virtudes irmãs: a justiça, a prudência e a temperança. O indivíduo corajoso, para os gregos antigos, era aquele que indiferente do estatuto social ou do cargo que possuía praticava e testemunha perante os outros uma vida virtuosa. O “corajoso virtual” dos nossos dias é incapaz de ouvir os ditames de uma ação justa, desconhece por inteiro atitudes prudentes e a temperança tem muito mais a ver com os “reality shows” de culinária. Por isso, é capaz de tudo escrever numa rede virtual, mas é um covarde moral no momento real em que é confrontado e precisa ser forte o suficiente para sustentar suas hipóteses desprovidas probidade intelectual. Que coragem moral prevaleça sobre a ‘aparente’ coragem virtual.