8 de jun de 2011

Ensaio sobre a Angústia




Ensaio sobre a Angústia.




“Conhece-te a ti mesmo!”, bradou o grande sábio ateniense - Sócrates. Eis o dever do humano, buscar o profundo do si mesmo. Eu, humano, busco, perscruto, investigo e encontro um ser angustiado. Quer resultados, mas não os encontra. Quer a solução, contudo aparecem dúvidas. Quer a felicidade, todavia só encontra o caminho. Quer, quer, quer... Mas nada consegue. Surgem novos imperativos: tem que construir um destino, tem que abrir a clareira, tem que, ao estilo dos modernos, fabricar uma saída. Nada de destino, nada de querer... somente a angústia. Eis aí o ser angustiado.

Grandes muletas este angustiado procura: o Bom Deus é uma delas. Porém o bom Deus é um ser que não se faz por si próprio. Precisa das religiões para se fazer entender! Báh, as religiões! Estas me fazem em dois: corpo e alma. Dizem ainda, que preciso ter uma alma boa, mesmo que à custa da negação do meu corpo. Contudo, o meu corpo também quer! Quer coisas que maculam a minha alma. Eis a encruzilhada: ser fiel ao corpo ou fiel à alma! Eis o angustiado, tendo que escolher.

A moral e a ética se mostram, querem ser também uma muleta para os temores e tremores desse angustiado. Definem o que certo e o que é errado, mostram o bem e o mal, expõem a verdade e a mentira. A receitinha está pronta! Só seguir e no final vai dar tudo certo. Não obstante, o angustiado está para além do Bem e do Mal. Há coisas más que no fundo são boas. Boas que no fundo são más. O último cristão já havia alertado: têm lobos transvertidos em carneiros. Aí este angustiado tem que, ele mesmo, construir seus valores. Tem que martelar velhos valores. Oh, labuta essa de desconstruir e construir valores ao mesmo tempo!

Outra muleta, a política! Já que não podes ser feliz sozinho, buscas a felicidade no bem da comunidade! Políticos profissionais, professores, médicos, policiais, advogados, eu... Todos querendo a felicidade no serviço a comunidade! Oh, sublime ilusão... Esquecem-se de si mesmos. Camuflam a angústia da existência, na busca pelo bem comum! O povo, os educandos, os pacientes, a comunidade a justiça passa a ser a muleta dessas pessoas nauseadas, embrulhadas, enfadonhadas com a própria existência. Contudo, o ato de existir é um ato singular, é uma escolha, é um destino, é um sofrimento. Ninguém é ele mesmo sem antes querer sê-lo em sua liberdade. Daí a angústia porque ninguém pode fugir a este sentimento que acompanha toda escolha.

Tudo isso revela que sou humano, demasiado humano. Experimento a angústia na singularidade. Não posso explicar pelas palavras, mas sei que tem a ver com admiração, espanto, terror, exaltação, náusea e sublimidade.


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